Profa Vera Castilho Sanches
A acção “Educação para o Desenvolvimento Sustentável – Paz e Sustentabilidade para o século XXI”, decorreu no âmbito do projecto “Pedagogia do Alento”, nos dias 17 e 18 de Abril na Escola Secundária de Benfica e no IPJ do Parque das Nações, respectivamente, dinamizada pelo Centro de Formação Maria Borges de Medeiros e sendo o formador responsável Manuel Gomes e os formadores convidados Ivana Campos e Bernardete Silva. Resulta de um projecto coordenado a nível internacional pelo Instituto Brasileiro de Educação para a Vida e a nível nacional pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental.
A referida acção consistiu numa abordagem teórica para a Educação para o Desenvolvimento Sustentável e para a Paz, focando pontos que se encontravam divididos fundamentalmente em seis partes. Segue-se uma descrição dos temas abordados em cada parte.
Parte 1- Um olhar sobre a paz e sustentabilidade; para além das fronteiras disciplinares; Educação e Sustentabilidade; Uma luz no fim do túnel; Nos limites da ciência e da tradição; Mudança de paradigma; Educação e Espiritualidade; Novos paradigmas e espiritualidade; Ética planetária e Responsabilidade Universal.
Parte 2- Educação (Ambiental) de Corpo & Alma; Bases teóricas de diversas áreas científicas; Valores, Afectividade e Educação; Emoção e motivação; Sentimentos e afectos; Resignificando a afectividade; Pressupostos da metodologia; Actividades anímicas e práticas que podem ser exploradas e tecendo a rede do conhecimento.
Parte 3- O autoconhecimento; Autoconhecimento na prática, segundo a tradição…; as ideias do Dr. Bach, O Imperil; A importância de ser feliz; Contribuições das neurociências para uma vida feliz; Quando a felicidade flui; O poder das “palavras” e dos “pensamentos” positivos; QI, QE e QS; O Ser Quântico; A Saúde do ponto de vista quântico: mais uma vez, o poder dos nossos pensamentos e sentimentos; O Efeito “placebo”, Criatividade interior e Paz e sustentabilidade interior.
Parte 4- Darwin, Lamarck e o “darwinismo social”; Teoria dos campos mórficos; Do Ser Quântico à Sociedade Quântica e Paz e sustentabilidade social.
Parte 5- A hipótese de Gaia; Noogénese e Noosfera; As esperanças – Teilhard Chardin e o “ponto Omega” e Paz e Sustentabilidade planetária.
Parte 6- Paz e sustentabilidade Total; A força do Amor e o Amor como o Único Sentido da Vida.
A componente teórica foi sempre apoiada por uma parte prática, que na minha opinião, foi escolhido um leque de dinâmicas que se adequaram de forma eficaz ao objectivo da formação. De uma forma lúdico-didáctica foi transmitida a mensagem.
Para o desenvolvimento das minhas competências a acção foi, sem dúvida, uma mais valia. Encontro-me a exercer funções na Escola Básica 2, 3 de Telheiras Nº1 como professora de turmas dos 8º anos de Ciências Naturais e Área de Projecto. Como tal, este tema enquadra-se perfeitamente no âmbito das minhas funções.
Com certeza, ao longo da minha vida profissional irei utilizar várias dinâmicas apresentadas no manual que nos foi facultado. Sendo que, na disciplina de Área de Projecto já implementei a dinâmica do Jornal das Boas Notícias.
A actividade decorreu conforme o previsto e, sem dúvida, os alunos manifestaram interesse e motivação comprovando-se, assim, que a motivação é transmissível…, contagiante…
Irei, também, em conjunto com outra colega do grupo, dinamizar a actividade do muro das lamentações e a árvore dos sonhos. Os alunos efectuarão o material nas aulas de Área de Projecto e será afixado na escola no Dia Mundial do Ambiente- 5 de Junho, juntamente com o Jornal das Boas Notícias. (Enviarei as fotografias das actividades, quando estiverem afixadas)
Saliento que estas acções tão brilhantes a todos os níveis devem continuar e exalto, mais uma vez, o trabalho fabuloso do formador Miguel Gomes e o trabalho, dinamismo, energia e eficácia da formadora Ivana Campos. Sinto-me, sem dúvida, muito motivada para abraçar um projecto desta natureza. Todavia, devido à minha situação de professora contratada só poderei integrá-lo para o próximo ano lectivo.
Continuem a “ser guerreiros sem armas”…
Uma experiência prática - Construção da Escola dos Nossos Sonhos
Após a indicação das hipóteses de trabalho a realizar, decidimos aceitar o desafio de aplicarmos uma das muitas actividades propostas na nossa escola.
Assim, de modo a conhecermos alguns dos problemas que podem influenciar a qualidade de vida no dia a dia da escola, decidimos começar por aplicar aactividade “Construção da Escola dos Nossos Sonhos” aos alunos de uma turma do 8º ano de escolaridade.
Esta actividade foi realizada no âmbito da disciplina de Formação Cívica, ao longo de duas aulas. Na primeira aula, foram efectuados em conjunto com os alunos os vários materiais necessários à sua implementação, na segunda, os alunos participaram na concretização da actividade.
Breve Caracterização da Turma
Dos alunos que constituem a turma, 45% são do sexo masculino e 55% do sexo feminino. As suas idades situam-se entre os treze e os dezassete anos, encontrando-se cinco fora da escolaridade obrigatória, ou seja, têm quinze ou mais anos de idade. Oito alunos, já ficaram retidos no mesmo ano de escolaridade pelo menos uma vez.
Parece-nos importante referir ainda que 55% dos alunos beneficiam de SASE (acção social escolar).
O agregado familiar dos alunos é na maioria constituído por pai e mãe, havendo alguns casos em que é monoparental.
As habilitações académicas dos pais de mais de metade dos alunos correspondem apenas à instrução primária e ensino básico.
Quanto às profissões dos pais 60% são trabalhadores manuais e operários, encontrando-se dois desempregados, apenas 15 % são quadros superiores.
Ao nível do comportamento, alguns alunos distraem-se com facilidade, tendo dificuldades em prestar atenção. Apresentam também por vezes dificuldade em cumprirem as regras básicas de funcionamento da sala de aula.
Em relação ao aproveitamento, alguns alunos não possuem hábitos de trabalho e revelam dificuldades na expressão e compreensão oral e escrita, o que se reflecte nos resultados escolares, pois foram aplicados a 60% dos alunos da turma planos de recuperação.
Aplicação da Actividade “Construção da Escola dos Nossos Sonhos”
Começámos por explicar aos alunos, o trabalho que pretendíamos realizar eexplicitámos quais os seus objectivos.
Solicitámos também a sua cooperação, realçando a grande importância deste trabalho não só para a turma, mas inclusive para a melhoria do funcionamento da escola.
De início ficaram um pouco retraídos, contudo à medida que iam participando, verificou-se uma boa adesão às várias tarefas realizadas.
A seguir à realização dos vários materiais nomeadamente, “tijolos” e “Muro das Lamentações”, assim como as “folhas” para a “Árvore dos Sonhos”, iniciou-se o diagnóstico dos “problemas” que os alunos sentiam no seu dia a dia na escola.
Análise dos Resultados
Da análise dos resultados dos painéis “Muro das Lamentações” e “Árvore dos Sonhos”, é possível verificar que os resultados incidiram maioritariamente na Parte Física das Instalações da Escola (falta de redes de protecção nos campos de jogos, salas degradadas…), seguindo-se a Qualidade de Ensino (aulas entediantes e teóricas, aulas práticas insuficientes…) e só a seguir foram referidos o Ambiente (espaços verdes…) e as Relações Humanas (falta de liberdade dos alunos…).
Assim, primeiro preocupam-se essencialmente com a Parte Física das Instalações da Escola e dos seus espaços, só depois aparece o Ambiente, ou seja, se pretendermos contribuir para a mudança dos padrões de percepção e acção dos alunos, temos de primeiro actuar ao nível da qualidade dos espaços físicos, em que eles permanecem a maioria do seu tempo.
A realização deste trabalho foi para nós uma experiência gratificante e enriquecedora.
Esta actividade poderá ser posteriormente aplicada não só a todas as turmas da escola, como também a todas as turmas de todas as escolas que fazem parte do nosso agrupamento.
Deverá também ser dirigido aos vários intervenientes no processo educativo, (funcionários, pais, professores…), de forma a termos uma percepção mais real e abrangente de todos os problemas que afectam o dia-a-dia da nossa escola
Posteriormente através de uma análise e reflexão conjunta podemos contribuir para a criação da “Escola dos Nossos Sonhos”.
O presente relatório tem como finalidade fazer uma análise sucinta da terceira parte da formação que decorreu nos passados dias 17 e 18 de Abril de 2009.
A acção em análise chama-se “Educação para o Desenvolvimento Sustentável, Sustentabilidade e Paz para o século XXI” tendo sido promovida pelo Centro Maria Borges de Medeiros. Teve como público alvo os Docentes de todos os ciclos de ensino e os Técnicos de Educação Ambiental.
A formação desenvolveu-se numa parceria entre o Instituto Brasileiro para a Vida (IBV) – Drª. Ivana Campos - e a Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA) – Dr. Manuel Gomes.
Objectivos da Acção de Formação
A acção em analise tinha como principais objectivos os seguintes pontos:
- Colaborar com educadores e professores (de Portugal e do Brasil) de forma a promover o trabalho em equipa;
- Possibilitar oportunidades aos professores e educadores para a realização de acções de promoção da auto-estima;
- Incentivo na realização de novos projectos;
- Contribuição para o desenvolvimento da educação ambiental e promoção da educação para o desenvolvimento sustentável.
De facto, esta acção tinha como objectivo primordial a promoção do projecto Pedagogia do Alento, através do envolvimento de todos os participantes. Este projecto pretende que todos os formandos se tornem em mensageiros multiplicadores dos seus fundamentos básicos.
Análise da Formação
A Drª. Ivana, principal rosto desta acção “abraçou-nos” com o seu afecto e dinamismo, oferecendo-nos um sonho, o seu sonho, e demonstrando-nos como pode ser possível a concretização de alguns passos desse sonho. Fez-nos acreditar que também nós podemos concretizar os nossos sonhos se os desenvolvermos com alento. Esta foi uma atitude dominante ao longo de toda a acção.
A terceira parte da metodologia da acção Pedagogia do Alento, ponto escolhido pelo facto de ser aquele com o que mais me identifiquei ao longo da acção, dividiu-se em quatro tópicos, são eles:
1. Desenvolvimento das relações sociais usando a componente lúdica através da actividade grupal – Merequetê;
2. Aprofundar de temas relacionados com as dualidades do individuo, na sua acepção “corpo e a alma” procurando os seus equilíbrios/desequilíbrios, em que o velho lema Socrático do “conhece-te a ti mesmo” é o motor de cada individuo se encontrar a si próprio e o ponto de partida para a paz, a felicidade e a sustentabilidade do nosso ser;
3. Promoção de actividades que promovam atitudes reflexivas sobre o eu e o auto-conhecimento;
4. Reflexão sobre o Individuo: Corpo & Alma e qual a relação entre a questão da paz e da Sustentabilidade com a Responsabilidade Universal.
Os temas abordados ao longo deste ponto têm grande relevo tanto na minha formação académica, como ao longo da minha vivencia enquanto docente, e na permanente atitude que venho tendo com os alunos e com a comunidade escolar.
Ensinar a fazer e saber fazendo, promovendo a reflexão sobre si, enquanto indivíduos, na dupla vertente corpo e alma, e sobre a sua atitude perante o Outro e com o Outro.
A parte 3 desta acção poderá ser aplicada, regra geral, a toda a comunidade escolar. No caso concreto da escola onde lecciono pode focar-se, por exemplo, num grupo que seja criticado pelas suas atitudes e comportamentos mas nem sempre ajudado a melhorar, como é o caso do pessoal não Docente.
As pessoas têm de se “conhecer a si mesmas”, atitude em desmoronamento nesta sociedade de consumo imediato, onde tudo tem de ser para a hora, para usar e deitar fora, onde o desenvolvimento de afectos, a valorização das coisas que se vão adquirindo e construindo não são primordiais, e onde os equilíbrios não são promovidos.
Um individuo em desequilibro, em conflito interno e/ou externo, será sempre um Ser infeliz, que emana infelicidade, e por isso será um Ser promotor de conflito, que inibe a criatividade e promove a insustentabilidade social.
Para a resolução destes conflitos, desequilíbrios, que existem em todas as comunidades escolares, o Projecto Pedagogia do Alento poderá ser uma mais valia, pois pode funcionar como “gestor” de emoções, dos afectos, da cultura, da paz e da Educação Ambiental.
Trabalhar com o pessoal não docente é muito importante para a promoção de uma maior estabilidade emocional/afectiva na comunidade escolar:
1. Promover o auto-conhecimento do grupo;
2. Contribuir para o envolvimento do grupo nos projectos escolares;
3. Estabelecer novas formas de relacionamento com os diferentes grupos da comunidade (alunos, docentes e não docentes);
4. Reflectir sobre as metodologias usadas na Escola de modo a serem implementadas novas propostas que vão se ao encontro da Carta da Terra e os Objectivos do Milénio e a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.
Conclusão
“De amor cantavam todos os rios,
todas as serras, todas as flores,
todos os bichos, todas as árvores,
todos os pássaros, todos os pássaros, todos os homens, todos os homens.
De Amor cantavam...”
- Gama, Sebastião – Campo Aberto

